Deu ruim com o amortecedor? E agora, original ou paralelo?

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Se o preço dos amortecedores originais de motocicletas praticados pelas concessionárias assusta, optar por modelos paralelos que podem chegar a custar até 6 vezes menos pode ser uma tremenda armadilha…

 

 

Começou a sentir que sua moto não esta mais com a mesma estabilidade em curvas, ou ao passar em lombadas ou vias irregulares, com garupa ou mesmo sozinho, não importa a situação, mas ela insiste em não permanecer em trajetória estável. São vários os itens que podem comprometer a estabilidade direcional, neste momento em particular me refiro as motocicletas que possuem a suspensão traseira mono-amortecida, mas um deles em especial se mostra mais perceptível: o amortecedor traseiro.

Claro que a suspensão dianteira também pode padecer de problema e efeito semelhante, mas salvo em caso de acidente com colisão, que venha a destruí-la, não é habitual trocar a suspensão dianteira em caso de problemas, já que em geral sua manutenção é mais simples e barata, além de visualmente mais fácil a detecção de anormalidades, como vazamento de óleo ou cilindro riscado. Um mecânico capacitado e com ferramentas adequadas pode fazer a substituição dessas peças tranquilamente.

 

Mas e nos amortecedores traseiros? Popularmente (e erroneamente também) chamados “Pro Link”, que na verdade é o nome do sistema de suspensão traseira que utiliza um único amortecedor central fixado por um conjunto de hastes articuladas, próximo ao eixo do quadro elástico, criado pela Honda e introduzido pela primeira vez em uma motocicleta nacional na XL250R, no ano de 1982.

 

XL250R 1982, primeira Honda Pro Link no Brasil

 

A Yamaha também lançou sua primeira mono amortecida no Brasil na década de 80, com a Yamaha DT 180 Trail em 1981, com seu sistema batizado de “Monocross”. Foi um grande sucesso e um marco de inovação em suspensão traseira na época.

 

Os sintomas percebidos na dirigibilidade, descritos no primeiro paragrafo, são mais amenos nas motocicletas com sistemas “bi choque”, que utilizam um amortecedor de cada lado da balança. Devido em geral seu posicionamento ser mais na extremidade da balança, tem o seu curso de deslocamento da haste maior, quando comparado aos monoshocks. Mas quando estão trabalhando “só na mola”, as batidas de fim de curso são extremamente desconfortáveis e perigosas.

 

DT 180 Trail 1981, a primeira monoshock brasileira

 

Voltando o foco nas mono amortecidas, especialmente as mais “velhinhas”, as fora de linha, as médias e alta cilindrada e as importadas, ou qualquer circunstância que o amortecedor apresentou problema e acabou-se o prazo de garantia da motocicleta. E aí, quais as possíveis soluções? Certamente existe mais de uma, mas qual delas realmente será a mais efetiva? As vantagens e desvantagens? Qual o melhor custo-benefício? Acompanhe o post pois trataremos um a um a seguir.

 

PROCURAR NA REDE DE CONCESSIONÁRIAS PELA PEÇA ORIGINAL

 

Cada modelo de motocicleta tem seu tipo de amortecedor em particular, mas os grandes fabricantes japoneses e europeus, na maior parte dos modelos mundo afora, utilizam amortecedores produzidos pelos gigantes japoneses SHOWA e KAYABA. São estas marcas de amortecedores que predominam. Acredito que em 9 em cada 10 motos produzidas no mundo utilizam amortecedores Kayaba ou Showa. Os caras fabricam desde amortecedores para bicicletas à sistemas completos para amortecedores de…edifícios!

 

linha de montagem Kayaba

 

Aqui no Brasil, mesmo amortecedores de motocicletas de baixa cilindrada como as 250/300cc tem um custo de aquisição um tanto elevado, já que os amortecedores pressurizados utilizados nestes modelos são produzidos com a mesma tecnologia e índice de qualidade dos modelos de grande cilindrada, as vezes compartilhando dos mesmos componentes internos, como válvulas, lâminas, sistemas de vedação e até mesmo de tubo ou haste.

Um amortecedor original Kayaba da Yamaha Lander 250, por exemplo, pode chegar a custar entre $1600 a $2000 nas concessionárias, e nem sempre tem a pronta entrega.

Das Honda CBX Twister ou CB300 em torno de $1500, Bros 150 $1300, Falcon e Tornado na faixa de $1800… e por aí vai.

Nas de cilindrada um pouco acima os valores sobem proporcionalmente, além da quase impossibilidade de encontrar com entrega imediata. Modelos como XT600/Tenere, Super Tenere, Honda Varadero, e outras big trails podem ter seus amortecedores cotados nas concessionárias por até $4 ou $5 mil reais! Algo realmente para poucos mortais dispostos a arcar com o prejuízo. E fora a mão de obra da troca…

Se falar em Suzuki, BMW, Kawasaki, Triumph ou Ducati então…Tem que pegar um empréstimo no BNDS ou penhorar a vida!

 

OPTAR POR UM AMORTECEDOR PARALELO

 

Nem todos os modelos de motocicletas tem essa opção, mas vamos analisar os casos em que ela existe. A principal vantagem que alguém que precisa substituir o amortecedor vê nos modelos paralelos, depois de ter se assustado um pouquinho nas concessionarias, é o preço.

 

Sem dúvida alguma, analisando primeiro por este fator, pode ser uma boa opção. Mas será mesmo que o modelo paralelo terá a mesma durabilidade e rendimento/performance do original? Pelo menos próximo ou parecido? Com meus 20 anos de trabalho e estudo em amortecedores, experiências, erros e acertos, posso afirmar com toda convicção que a resposta é: Não! Nunca! Nem fu….!

 

É uma enormidade monstruosa a diferença técnica e de qualidade. Algumas marcas até tem uma certa qualidade de construção, acabamento superiores à algumas outras, mas na técnica ainda são bem inferiores. Alguns modelos podem até serem bem parecidos externamente, mas o interior bem diferente. Diâmetro e acabamento interno do tubo, tipo, desenho e material da válvula, genética de lâminas, sistema de vedação, constante elástica da mola, enfim, tudo bem diferente do modelo original. Nem mesmo os modelos de um grande e tradicional fabricante de amortecedores para carros, que passou a fabricar também para alguns modelos de motos, consegue sequer chegar no chinelo dos modelos originais.

 

Neste vídeo eu mostro as diferenças entre o amortecedor original e o paralelo, clique.

 

Pense: quando um fabricante desenvolve uma motocicleta, ele fornece parâmetros geométricos e uma infinidade de dados técnicos do projeto ao fabricante de amortecedores, onde desenvolvem o sistema em conjunto, utilizando-se de modernos equipamentos de testes, dinamômetros, fazem inúmeros testes em laboratórios e pista, testando o sistema à exaustão, para terem a tranquilidade de produzirem o melhor e mais confiável sistema de suspensão possível para aquela motocicleta, para que ela enfim possa ser homologada e vendida no mundo todo, sem oferecer riscos à segurança do eventual proprietário. Dá pra imaginar o tamanho da responsabilidade e investimento que demanda tudo isso?

 

Acredita que um fabricante chinês de amortecedores, que é a origem de 90% dos amortecedores paralelos vendidos aqui, ou até mesmo os nacionais, tem os mesmos parâmetros e tecnologia ou comprometimento dos fabricantes originais? Fica a reflexão…

 

Meu veredicto é que paralelo só compensa mesmo TALVEZ para modelos de baixa cilindrada com sistema bi choque e que custem até 1/3 do valor dos originais, ou que não seja possível ou compense fazer a reparação. Mas ainda assim, se puder dispor da grana, invista nos originais, já que o valor não custará um fígado ou um rim, e o fraco desempenho de algumas marcas paralelas poderá custar a coluna ou até a vida.

 

PROCURAR UM ORIGINAL USADO

 

Também uma opção arriscada, porém ao meu ver, dependendo do estado da peça, menos arriscado do que um paralelo novo. Além do que 99% dos modelos pressurizados permitem a total reparação, voltando a trabalhar exatamente como quando novo, desde que o serviço seja executado por um profissional realmente qualificado. Mas é o assunto das linhas mais a seguir.

O valor de um modelo usado varia de acordo com a motocicleta. Quanto mais rara e “cara”, mais alto os vendedores tendem a pedir. Você pode passar horas, dias ou meses tentando garimpar na internet ou lojas de desmanche de peças, até encontrar o amortecedor que procura, e quando (e se) encontrar nem sempre é tão barato assim.

Modelos mais comuns podem custar o mesmo ou até mais que um paralelo novo, onde este pelo menos terá 3 meses de garantia. Mas e o usado? Qual a procedência: lícita, adquirido realmente em leilão ou manchado de sangue de alguma das milhares de vítimas de roubo Brasil afora? O quanto já trabalhou este amortecedor: dezenas ou milhares de quilômetros? Está mesmo perfeito ou na eminência de “estourar” também, daqui uma semana ou um mês?

Pela questão do preço, falta de garantias e possibilidade de alimentar o ciclo maldito do roubo de motos e famílias órfãs,  amortecedor usado só se tiver 100% de conhecimento da origem e condições dessa peça. Caso contrário, é fria!

 

REPARAR O SEU ORIGINAL

 

Esta é sem dúvida a melhor das opções, desde que o modelo permita uma reparação segura e de preferência por métodos menos agressivos, e seja feito por profissional realmente qualificado e experiente.  Se não acredita, continue acompanhando o post que vou provar os porquês…

Quando o motor da dua moto apresenta um vazamento de óleo, ou começa a “bater” ou a “fumar”, o que você faz, joga fora e compra outro? Certamente que não! Irá procurar um profissional de confiança que fará a devida reparação e garantir que tenha o mesmo desempenho de sempre, ou seja um motor novo de novo, correto? Pois com os amortecedores pressurizados é a mesma coisa, o que falta é conhecimento e profissionais qualificados.

Já vimos que os originais são infinitamente melhores que qualquer paralelo devido as diferenças técnicas e materiais, o que não disse ainda é que a grande maioria dos modelos pressurizados são “desmontáveis”, seja por sistemas de roscas ou travas.

Podendo ter acesso à todos os componentes do conjunto, fica fácil fazer o diagnóstico dos componentes e apontar quais estão avariados e necessitam de troca ou reparo.

Em um momento oportuno farei um outro post comentando o funcionamento dos amortecedores pressurizados e hidráulicos, quais as principais diferenças e vantagens de cada sistema. Não deixe de acompanhar o blog!

 

Alguns modelos demandam mais operações do que outros. Da linha Honda por exemplo, grande parte dos modelos utilizam amortecedores Showa com câmara de gás blindada, onde não há necessidade em se “esvaziar” este compartimento para fazer a manutenção, sem risco algum para o reparador. Por ser um gás inerte, ou seja, não tem suas propriedades físicas ou químicas alteradas pelas mudanças de temperatura, umidade ou calor, se mantém puro e na mesma consistência de quando foi inserido pelo tempo em que estiver enclausurado.

A desmontagem do amortecedor se dá comprimindo com ferramenta apropriada o sistema de vedação e retirando-se o anel trava existente.

 

Alguns reparadores furam este compartimento para retirar o gás existente para colocar um bico, ou válvula npt para inserir um novo gás…Hã? Sem a menor necessidade, colocando a integridade do sistema em risco, pois cria um ponto de possível vazamento de gás, pela rosca da válvula. Caso não seja feito um bom trabalho, segundo que pode ter ficado cavaco de aço no interior da câmara, que poderia danificar o anel de vedação do pistão que divide o gás do fluído hidráulico, causando uma divisão na pressão e mal funcionamento do sistema.

 

bico em amortecedor blindado: desperdício de tempo e material com risco a qualidade

CONCLUSÕES

 

Resumindo: pra que trocar algo que está e sempre será bom, sem risco de mal funcionamento, pra fazer com que exista alto risco de dar tudo errado?

Neste modelo de amortecedor, os componentes possíveis de troca são: haste, bucha, retentor, óleo, batente e anel de vedação, além da limpeza do sistema válvula e lâminas. Feito isso volta a ter o mesmo desempenho e qualidade de quando saiu da linha de montagem.

 

Outros modelos tem o seu sistema de fechamento feito por solda, como o Kayaba que equipa a Yamaha XTZ Lander 250, e o pistão que separa o gás do fluído não tem o amparo da blindagem, sendo necessário fazer um pequeno furo no amortecedor para retirar o gás e aliviar a pressão antes de sua desmontagem. Fatos estes que demandam de mais operações mecânicas no processo de reparação, consequentemente elevando o valor agregado ao serviço. Aqui na GAS TOTAL realizamos também este serviço com garantia de 6 meses.

 

Você pode conferir o processo de restauração deste modelo clicando neste link para o vídeo no nosso canal do YouTube.

 

E nas motos importadas especiais off road, onde os pilotos profissionais fazem a manutenção em intervalos entre 3 a 6 meses? Já pensou se cada vez que um amortecedor desses vazasse, tivesse que substituir este caro componente? Seria a falência certa!

 

amortecedor Kayaba YZ 250

 

Prova mais uma vez que é perfeitamente viável reparar e manter o amortecedor original. Se para este tipo de amortecedor se faz valer o trabalho do profissional em suspensões, das motos de rua vale o mesmo.

 

Finalizando, o custo da reparação tem ligação direta com os tipos de processos envolvidos, quais peças e componentes serão substituídos, o tipo de construção do amortecedor, e levando-se em conta o risco e valor da peça ou motocicleta. Pois se por algum infortúnio ou “acidente de percurso” o reparador “matar” o amortecedor do cliente, o risco assumido será dele, assim como a obrigação de providenciar outro em boas condições.

Em geral custa o mesmo ou um pouco mais que um paralelo novo, claro que quando existe essa opção, nos modelos nacionais mais comuns, e entre 5 a 10x menos que o valor cobrado nas concessionárias nos modelos de grande cilindrada importadas, como por exemplo Honda Varadero, Suzuki Bandit, linha CBR 600/900/1000, e por aí vai…

 

Bom, agora que você sabe das opções de solução para o seu problema com amortecedor traseiro, e seja qual for a sua decisão, que sempre prevaleça a segurança acima de tudo, mesmo se for optar por paralelos de reposição. Caso o fator preponderante for o preço, prefira marcas de tradição em detrimento as “chino-brasileiras”, que são peças produzidas na china com nomes abrasileirados…

 

Fábrica da Cofap amortecedores

 

Se for mais conservador e sem pressa para aguardar a disponibilidade e ter tempo para procurar, tiver “bala na agulha” para investir no original novo nas concessionárias, vá em frente. Original novo é novo mesmo, e tem a garantia da fábrica.

 

Agora, para manter o original com garantia e preço justo, com a qualidade e segurança de quem há 20 anos trabalha, estuda e investe tempo e tecnologia em ferramental dedicado aos sistemas de amortecedores, traga sua moto ou mande seu amortecedor para nós.

Aqui na GAS TOTAL seu amortecedor não é um problema… é motivação.

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Fotos: arquivo pessoal/divulgação

 

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